quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Réquien pela Cultura de Santos:

Por Flávio Viegas Amoreira (*)
Publicado no jornal A Tribuna, 6 de outubro de 2011, página A-2


"Não mais Festival Musica Nova, não mais a Santos com uma elite intelectualizada que se foi com d. Aura Botto de Barros e o Centro de Expansão Cultural, não mais engajamento por arte elaborada, questionamento crítico, só a desolada realidade de quem veio a veraneio"

O maestro Gilberto Mendes e esposa ao lado de Flávio Viegas Amoreira
Triste uma região que comemora boom econômico ainda abstrato, já com resultados caóticos, rejubilar o êxito oco de sua alienação. Em 2010, Santos só foi destaque cultural pelas iniciativas do Sesc, falo em nível nacional. Outra manchete pouco reverberada pelo provincianismo ressentido foi o fim do mais tradicional festival de música de vanguarda da América Latina e seu ressurgimento em Ribeirão Preto, em 2012. A mentalidade jeca é altamente sofisticada em cafonice: promove o raso para detonar o denso; em Santos, em termos de Cultura, tudo ficou difícil. Tudo! Política Cultural ao avesso: dois mandatos de desmazelo propositado. Quando o Festival Música Nova faz 50 anos e seu criador, Gilberto Mendes, comemora os 90, Ribeirão Preto assume pela USP, o que perdemos sem protesto. 
Em 2012 a cidade do interior recebe músicos de todo mundo, abrindo uma lacuna aviltante para quem se pretende capital do pré-sal. 


A Bienal de Dança e o Mirada de Teatro foram ofertados de maneira emocionante pelo empenho dessa instituição que vale por muitos ministérios da Cultura, o Sesc, sob o comando incansável de Danilo Santos Miranda. Não mais Festival Musica Nova, não mais a Santos com uma elite intelectualizada que se foi com d. Aura Botto de Barros e o Centro de Expansão Cultural, não mais engajamento por arte elaborada, questionamento crítico, só a desolada realidade de quem veio a veraneio. 


Por que não temos um Festival de Verão correspondente ao de Campos de Jordão? Por que só exaltamos nossos artistas de modo tardio nessa síndrome santista de necrofilia cultural? Ao prestigiar um espetáculo no Teatro Braz Cubas me deparo depressivo com o estado fantasmagórico dessa importante peça de nossa arquitetura, outrora cenário de intensa efervescência: umprédio degradado, com reforma prometida comprometendo todo o entorno sombrio da Pinheiro Machado. 


Os jovens do Festival de Teatro criado por Pagu resistem bravamente; Pinacoteca Benedicto Calixto e pontos de cultura como a Estação Cidadania na antiga Sorocabana são oásis na paisagem intelectualmente árida nesse horizonte turvado por arranha-céus dignos de Gotham City insossa. 


A boemia é sempre um termômetro para observar o agito cultural duma comunidade: assim é na Vila Madalena, Praça Roosevelt, Baixo Augusta: pois bem, em Santos, na madrugada modorrenta, até bares de hotel fecham como se o mundo de hoje adormecesse! 


O problema aqui não é a turma do não. A cidade disse sim em excesso aos desmandos do mau gosto,de uma caótica urbanização, A turma do "Sim senhor capitalista!" é sofismática: tenta calar qualquer brado de indignação. A proximidade com São Paulo deve ser ônus, não desculpa a nossa acomodação:cultura não é um tema afrescalhado para intelectuais de salão: é uma valor de exportação, moeda no PIB mundial. 


Cultura deveria ser irmã siamesa do turismo. A noção de progresso não se mede por cimento armado, ela só pode ser avaliada por aprimoramento ético, que é estético também, e evolução que depende dum fator além do cofre: a qualidade humana de convivência. 


O CD "Gilberto Mendes: Vários compositores num só compositor
do modernismo ao pós-modernismo"
Poderia estar só vivendo a literatura, mas o artista não deleta sua ancestralidade emotiva. A alma deveria vir com antiSpam: assim o espírito de um cidadão também poderia qualificar as mensagens que recebe do tempo e projeta aos que o sucederão. Os alcaides passam e são menos ou melhor lembrados: só os artistas se eternizam: uma terra que mata à míngua festivais e suicida, por indiferença, seus artistas não será bem recebida pelo futuro, onde a criatividade será o grande lastro.


(*) Flávio Viegas Amoreira - jornalista, crítico literário e agitador cultural. Sua publicação mais recente são quatro contos escolhidos para compor o livro Geração Zero Zero: fricções em rede (2011), organizado por Nelson Oliveira.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Movimento Rosa - Amor à Vida


A Campanha de Mobilização Contra o Câncer de Mama em Santos acontecerá no mês de outubro e tem esse ano como slogan: "Movimento Rosa - Amor à Vida".

Sobra a Campanha saiba que:
  • tem por objetivo "sensibilizar o público feminino sobre a importância da realização de consultas e de exames preventivos, como a mamografia"; e
  • no período de 20 a 22/10, das 8h às 16h, acontece trabalho de rastreamento de casos da doença nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) e USF (Unidades de Saúde da Família) e no Instituto da Mulher (Av. Conselheiro Nébias nº 439).
Saiba mais sobre a Programação, clicando aqui.

Coronelismo eletrônico

Agência de notícias "pública" reproduz propaganda contra a democratização dos meios de comunicação

Por Centro de Mídia Independente



A matéria do dia 1/10/2011 da Agência Brasil sobre a repressão a rádios livres e comunitárias, assinada pela jornalista Isabela Vieira e pelo editor Vinicius Doria, após dar a palavra final a representantes da ANATEL, termina assim: "Na tentativa de burlar o controle do Poder Público, as rádios ilegais acabam operando em frequências inadequadas e podem interferir em serviços essenciais, como controle de tráfego aéreo e comunicações da polícia e dos bombeiros, acarretando riscos à população." No artigo a calúnia não está entre aspas, o que quer dizer que foi redigida nas próprias palavras da jornalista e do editor e, colocada ao final do texto, tem o efeito de palavra final, respaldada pela credibilidade da Agência que parece falar em nome de um suposto "Poder Público" que soa como "autoridade" separada da população brasileira. Agora já foi reproduzida por inúmeros jornais em todo o Brasil.
Este fato pareceria corriqueiro, não fosse a Agência Brasil parte da proposta do Governo de se democratizar os meios de comunicação do Brasil através da implantação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC): conjunto de meios de comunicação que se pretendem "públicos", distintos "dos canais estatais e governamentais" por "sua independência editorial" e com "controle social". A menina dos olhos da EBC é a TV Brasil, iniciada em 2007.

sábado, 1 de outubro de 2011

1ª Semana de Comunicação Social da UniSantos acontece de 3 a 8 de outubro


Conectamundi

Na programação de Jornalismo, a interação com a comunidade é formalizada em três palestras: Jornalismo e Cidadania, Comunicação e Cidade e Ressonâncias Comunitárias: mídia e redes de interesse social na Baixada Santista

 Por Vinícius Maurício
O curso de Jornalismo da Universidade Católica de Santos (UniSantos) tem  o prazer de convidar a todos para a 1ª Semana de Comunicação Social, a se realizar entre segunda (3) a sexta-feira (7), das 19h30 às 22 horas e sábado (8), das 9 às 12 horas. A iniciativa marca a realização de uma Semana única para os cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas.
Com o tema Conectamundi: a vida nas redes sociais, o evento traz uma programação diversificada para o curso de Jornalismo, com palestras de interesse da comunidade em geral. Na abertura, o gerente de conteúdo do site UOL, Ricardo Fótios, fala sobre o papel do comunicador social como interlocutor entre os diferentes públicos que se conectam nas redes sociais.
Segundo o diretor do Centro de Comunicação e Artes (CCA) da UniSantos, Roberto Hage Chain, é também a primeira vez em que a programação abre para a comunidade, diretamente, com assuntos de interesse público.
Com as palestras Jornalismo e CidadaniaComunicação e Cidade e Ressonâncias Comunitárias: mídias e redes de interesse social na Baixada Santista, o curso de Jornalismo discute o tratamento que assuntos como Cidadania e Plano Diretor e suas implicações recebem na mídia local.
“Essa interação com a comunidade faz com que a Universidade seja mais permeável, o que é de interesse da própria instituição e também da Comunicação Social”, afirma Chain.
Para o diretor do CCA, a integração entre os cursos de Comunicação Social formaliza um novo momento, que, nos próximos anos, tende a se aprimorar: “Vamos colher os frutos dessa 1ª Semana e aprimorá-los, nos anos subsequentes, sempre buscando, na programação, ter a participação ativa da comunidade”.
Abertura – traz uma discussão sobre o papel do comunicador social frente às redes sociais, como Facebook e twitter, e a relação com os diferentes públicos que utilizam esses meios. O primeiro dia é comum aos três cursos de Comunicação Social e acontece na segunda-feira (3), das 19h30 às 22 horas, no auditório 310 do prédio principal.
Programação de Jornalismo - vem recheada de palestras importantes, em que cada convidado foi escolhido de acordo com o seu papel social e sua atuação profissional.
Na terça-feira (4), das 19h30 às 22 horas, no auditório 200 do prédio dos laboratórios, acontece a palestraJornalismo Esportivo, com relatos de experiências, oportunidade de trabalho, entre outros assuntos, com os jornalistas Alexander Roberto Gil Frutuoso, do blog do Santos Futebol Clube, do site de A Tribuna, e colunista de esportes da mesma empresa, e Conrado Giulietti, da Rádio Eldorado ESPN.
O assunto é Jornalismo e Cidadania, na quarta-feira (5), das 19h30 às 22 horas, no auditório 200 do prédio dos laboratórios. Na pauta, o trabalho do jornalista junto às comunidades e o relato de experiências de profissionais que se dedicam à formação e sedimentação da Cidadania.
Os convidados são os jornalistas formados pela UniSantos Maria Fernanda Portolani, que trabalha na ONG Camará de São Vicente, Michel Carvalho da Silva, mestrando em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), na linha de pesquisa Comunicação e Educação, e Mariana Felippe, do Instituto Elos.
Os jornalistas Fernando Allende, que já trabalhou em A Tribuna, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, Rafael Motta, subeditor do caderno Baixada Santista de A Tribuna, e o sociólogo e membro do Fórum da Cidadania de Santos, Célio Nori, se encontram na mesa Comunicação e Cidade.
Os jornalistas e o sociólogo discutem a cobertura regional de assuntos como Plano Diretor, boomimobiliário e suas implicações, Cidadania, Zonas de Interesse Social e Direito à Cidade. O encontro ocorre na quinta-feira (6), das 19h30 às 22 horas, no auditório 200 do prédio dos laboratórios.
A sexta-feira (7) fica por conta da palestra Ressonâncias Comunitárias: mídia e redes de interesse social na Baixada Santista, com o editor-chefe do jornal A Tribuna e o professor e pesquisador da USP Diósnio Machado Neto.
Os convidados explanam sobre os processos de Comunicação e relacionamentos utilizados pelas diversas comunidades de interesse na região. E conversam sobre a participação da Cátedra Giusfredo Santini, da UniSantos, no estudo científico da realidade comunicacional da Baixada Santista.
Assessoria de Comunicação Pública reúne profissionais de Jornalismo e Relações Públicas, no último dia do evento, sábado (8), das 9 às 12 horas. Os jornalistas Raul Christiano, Karina Praça, Marcos Fonseca e o relações públicas Marco Antonio Delgado falam sobre a Comunicação Social nas instituições públicas, o direito à informação e a relação entre assessor e profissional de imprensa.
Avant-première – O pontapé inicial para a 1ª Semana de Comunicação Social da UniSantos foi dada pelo curso de Jornalismo, que recebeu, no dia 20 de setembro, o jornalista João Paulo Charleaux, formado pela Universidade em 2000. O convidado ministrou a palestra Cobertura Jornalística em Conflitos Armados.
Atualmente, jornalista é editor-assistente da editoria Internacional do jornal O Estado de S. Paulo, e mora no Chile. Charleaux contou sua experiência em coberturas do terremoto do Haiti, dos protestos estudantis no Chile, falou também sua opinião sobre a cobertura de Internacional da América Latina e da África.
Para ele, o Jornalismo não é “tão bacana” como a maioria das pessoas pensa e como a própria mídia mostra. E o Jornalismo Internacional ainda é visto com “glamour” pelas pessoas, pois oferece ao profissional de Comunicação a oportunidade de viajar.
“Quando ficam sabendo onde trabalhei, pensam logo que sou bem sucedido. Mas ser bem sucedido não é trabalhar para uma grande empresa. Principalmente quando se trabalha com conflitos e desastres naturais, como trabalho, essa noção de sucesso relacionada à empregabilidade é relativa”, conta Charleaux.
O jornalista ainda alertou os estudantes de Jornalismo presentes: “Estou lançando a semente para que não se contentem com a empregabilidade. E afastem o 'canto da sereia' de achar que a gente só conta histórias”.
Para ele, ter trabalhado em lugares em situação de conflitos e de desastres lhe fez perceber que o Jornalismo não deve ser visto com “glamour”, mas como uma maneira de fazer algo pelas pessoas que precisam de ajuda.
Serviço – Para participar das oficinas da 1ª Semana de Comunicação Social, os alunos precisam se inscrever, previamente, até segunda-feira (3). As palestras são abertas, inclusive à comunidade em geral. Para emissão de certificado, os alunos pagam uma taxa de R$5. A presença será dada somente se o aluno ficar pelo menos até 20 minutos antes do final de cada palestra. A participação dos alunos na Semana é obrigatória e conta como Atividade Complementar. Outras informações e a programação completa no Facebook: http://facebook.com/scsjornalismo e no twitter.com/SCS_Jor.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Por um Estado sem discriminação: respeito à cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

Conferência discute direitos da comunidade LGBT, no sábado (1º)

Da redação do TVTribuna.com

Créditos: Arquivo / Nelson Jr. / STF

Ações de combate à homofobia e defesa da cidadania serão alvo de debates na 2ª Conferência de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT da Baixada Santista, que acontece no próximo sábado (1), em Santos. A participação é aberta ao público.

O evento levantará propostas regionais e escolherá representantes para a conferência estadual, marcada para o final de outubro em São Paulo. Os debates envolverão diversos problemas da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) da região, como a intolerância e a violência. A análise do contexto regional, estadual, nacional e internacional, o diagnóstico das políticas públicas e um pacto federativo para o enfrentamento das violências e da vulnerabilidade da população LGBT também fazem parte da discussão.

Com o tema "Por um Estado sem discriminação: respeito à cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais", o encontro em âmbito estadual elegerá a delegação que representará São Paulo na II Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT, em Brasília, entre os dias 15 e 18 de dezembro.

O encontro, organizado pela Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania e por entidades sociais, ocorrerá das 9 às 17 horas no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), localizada na Praça José Bonifácio, 55, no Centro.


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Desde terça-feira (27), bancários de todo o país estão em greve

Assembleia de greve acontece na quinta-feira (29), 16h30, na sede do Sindicato


Informações da imprensa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Santos e região


Bancários de todo país iniciaram greve nesta terça-feira, dia 27, por tempo indeterminado. Na Baixada Santista a adesão também foi expressiva. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários, Ricardo Luiz Lima Saraiva (Big), 90% das agências não abriram no primeiro dia de paralização. Dentre as pautas de reivindicação, estão o reajuste salarial de 12,8% - 5% de aumento real mais a inflação projetada de 7,5% - e salário mínimo de R$ 2.297,51, calculado pelo Dieese.
Na sexta-feira, dia 23, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) propôs, em reunião de negociação, um reajuste de 8%, porém a categoria não aceitou. Em entrevista à Repórter Sindical, o coordenador do Comando Nacional, Carlos Cordeiro, considerou o índice muito baixo, “especialmente se comparado aos elevados lucros alcançados pelos bancos no primeiro semestre, que chegaram a mais de R$ 27 bilhões”. Além disso, a nova proposta também não traz avanços em relação às reivindicações de emprego e melhoria das condições de trabalho.
Na Baixada Santista, a categoria rejeitou a proposta dos banqueiros no dia 26 de setembro e resolveu decretar greve por tempo indeterminado. O presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região estima que 80% das agências suspenderam o atendimento ao público,porém os terminais de caixa eletrônicos ficaram ativados e com pessoal de plantão para o abastecimento. "Nosso objetivo não é atingir a população, mas reivindicar um reajuste justo e compatível com os lucros gerados pelos bancários", afirma Big.
Confira a pauta geral de Reivindicações:
- Reajuste Salarial: 12,8% (5% de aumento real mais a inflação projetada de 7,5%)
- PLR: três salários mais R$ 4.500
- Vales Alimentação e Refeição: Salário Mínimo Nacional (R$ 545)
- PCCS: Para todos os bancários
- Auxílio-educação: Pagamento para graduação e pós
- Emprego: Ampliação das contratações, inclusão bancária, combate às terceirizações e à rotatividade por meio da qual os bancos aumentam seus ganhos com a redução dos salários, além da aprovação da convenção 158 da OIT
- Piso: Salário mínimo do Dieese (R$ 2.297,51)
- Outras: Cumprimento da jornada de 6 horas; Fim das metas abusivas; Fim do assédio moral e da violência organizacional; Mais segurança nas agências e departamento; Previdência complementar para todos os trabalhadores; Contratação da remuneração total; Igualdade de oportunidades


terça-feira, 27 de setembro de 2011

BlogProg chega à Baixada Santista

Por Anselmo Massad, 
Publicado na Rede Brasil Atual

Autores de blogues, tuiteiros, comunicadores e parlamentares de cidades como Santos, São Vicente, Praia Grande, Cubatão etc. reúnem-se, no dia 8 de outubro, no primeiro Encontro de Blogueiros Progressistas [BlogProg] da Baixada Santista. As inscrições podem ser feitas pela internet.

O evento irá discutir liberdade de expressão e direito à comunicação, Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e redes sociais. O evento será transmitido ao vivo pela TV Linha Direta, no portal do PT de São Paulo.

Parlamentares como Luiza Erundina (PSB-SP), Telma de Souza (PT-SP) e Antonio Mentor (PT-SP) e blogueiros como Conceição Oliveira, Renato Rovai, Eduardo Guimarães, Altamiro Borges, Luis Nassif e Pastor Marcos Dornell devem participar.

O evento terá início às 8h e segue até àa 18h no Consistório da Universidade Santa Cecília (Rua Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão).

O encontro paulista dos blogueiros aconteceu em abril, ainda antes da edição nacional, em junho.

Programação: 


8h - Café da manhã-  cortesia da Comissão Regional

9h  – Abertura do evento- Prefeitos, vereadores e comissão

10h - Debate: "Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação com Participação Popular". 

Debatedores: Deputada Luiza Erundina, Deputada Telma de Souza, 
Deputado Antonio Mentor, Prefeita Maria Antonieta (Guarujá) e Vereador Pedro Gouvea (São Vicente). 

Mediadores: Emerson dos Santos e Vander Fagundes 

12h - Almoço

14h - Debate: "Plano Nacional de Banda Larga, Lei dos Meios de Comunicação, AI-5 digital, Marco Civil da Internet 

Debatedores: Blogueiros  - Conceição Oliveira (Maria_Frô), Renato Rovai, Eduardo Guimarães, Altamiro Borges, Luis Nassif, Pastor Marcos Dornell (blogsat).

Mediadores: Marco Antonio de Lima (Limarco) e Sérgio Telles

16h - Debate: “As Redes Sociais como ferramenta de mobilização social. A importância do ativismo digital”

Debatedores: Pedro Custódio (Cufa), Igor Felipe do (MST) , João Carlos Camará (Ong Camará), Rafael Ambrósio (Ong Ambienta), João Gabriel ( Ong CAC), Francisco Nogueira (Fundação Settaport).

Mediadores: Andréia Lamaison e Daniela Origuella.

Organização: Blogueiros Progressistas de SP e Comissão Regional: Andréia Lamaison (@lamaisonandreia) , Marco Antonio de Lima (@limarco), Kátia Figueira (@katytasv), Marcos Simões (@marcosjornpercu) .

Apoio: Prefeitura do Guarujá,  Prefeitura de Cubatão, Fundação Settaport, SINDPT e CGTB Nacional, CUT ,UGT, TV Linha Direta, MAVPTSP, SEEL, Faculdade Santa Cecília, Café da Praça, Locatelli, Rede Brasil Atual, TV Santa Cecília

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Chile e Argentina:


Dois momentos do mesmo modelo educacional

Escrito por PSTU – Argentina
  
Liga Internacional dos Trabalhadores Quarta Internacional
A luta estudantil chilena desvendou o desastre provocado pelos planos do Banco Mundial aplicados a fundo pela ditadura de Pinochet e dos governos que se seguiram: a Concertação e o atual de Sebastián Piñera.
O governo de Cristina Kirchner procurou utilizar eleitoralmente as diferenças que existem entre a educação de nosso país e a chilena. Com efeito, na Argentina existe universidade gratuita, e o Estado garante a educação nos distintos níveis. Ocorre uma deterioração crescente, mas está melhor que a chilena. O oficialismo tenta demonstrar que a diferença é produto da política do atual governo, diferente do que faz um “neoliberal” como Piñera. Não é assim. Em 8 anos de kirchnerismo, a educação não está melhor, mas cada vez pior. Por isso, em nosso país também houve e há grandes lutas docentes e estudantis.
Projeto mundial

Os atuais projetos vêm do plano neoliberal do Banco Mundial e das entidades financeiras, como parte de Consenso de Washington dos anos 80. Um documento da UNESCO, intitulado “A educação guarda um tesouro”, demonstrava (com este título simpático) como a educação mundial era um negócio inexplorado, e que o capitalismo mundial se propôs aproveitá-la. Todos os governos do mundo assumiram esses critérios. No Chile e na Argentina também. No Chile, governos de distintos matizes, tais como o da “socialista” Bachelet e o atual, deram continuidade à educação pinochetista. E na Argentina, o atual governo continuou com a educação do governo Ménem. A Lei Federal de Educação e a atual Lei da Educação Nacional - ainda que, pela sua formulação, pareça mais progressista – são muito similares. E para a universidade, se mantém diretamente a Lei de Educação Superior (LES) de Ménem.

Nisto não há diferenças entre os distintos candidatos dos partidos patronais. Debateram sobre quase tudo, exceto sobre educação. Por uma razão muito sincera: estão todos de acordo.

As diferenças só são de ritmos e de modos de aplicação

As diferenças entre a situação educativa chilena e a argentina não se explica porque haja “distintos modelos”. Existem diferenças, mas são diferenças sobre ritmos e modos de aplicação do mesmo projeto: o esquema educativo argentino de hoje é só uma etapa de um caminho que termina no sistema educativo chileno.

Por isso, cá estamos cada vez pior, e a educação cada dia mais privatizada.

Se existem diferenças, não é porque o atual processo político de Néstor e Cristina Kirchner se tenha desviado do caminho iniciado pelo neoliberalismo, mas porque durante décadas as lutas dos docentes, estudantes e de toda a sociedade em defesa do direito à educação colocaram obstáculos aos planos do Banco Mundial que todos os governos defendem.

A única maneira de defender a educação é lutar por outro modelo de país, trabalhador e socialista, que tome o caminho da segunda e definitiva independência e o fim do lucro como orientação de todos os aspetos da vida.

Semelhanças e diferenças

Por que lutam no Chile? Contra o lucro e o mercado na educação, e um Estado que não defende os direitos de seus habitantes. Seus pontos centrais são a privatização das universidades e a municipalização das escolas primárias e secundárias.

Para entrar na universidade é obrigatório se realizar um exame, o PSU, pago, e ao qual passam muito poucos. Tanta a universidade estatal como a privada são pagas. 84,2% do custo da educação é pago pelos particulares, e somente 15,8% é financiado pelo Estado (dados do Observatório Chileno de políticas educativas).

O Estado financia os alunos com empréstimos com juros de 2% anuais na pública e 6,4% na privada. 60% dos que iniciam os cursos, abandonam, pagando de igual forma. Por isso os estudantes denunciam “5 anos estudando e 15 anos pagando”.

Quando se forma, um estudante deve pelo menos 50.000 dólares, o custo de uma casa em Santiago do Chile. Por isso, a escolarização universitária é muito baixa: somente 27% (uma cifra similar a da Bolívia, economicamente inferior).

E na Argentina, como andamos?

Na Argentina o sistema universitário é livre e gratuito. No entanto, a taxa de escolarização não é muito diferente: 33%. Ou seja, apenas 6 em cada 100 estudantes ingressam. Mas para além disso, é tão desigual como no Chile. Só estudam 16,5% dos jovens dos 18 aos 24 anos dos 30% mais pobres da sociedade, contra os 47% dos 30% mais ricos. Todos os dados são da Fundação Mediterrânea.

Além do mais, ainda que as nossas universidades não se encontrem privatizadas, se subordina, através da CONEAU – organismo regente do sistema – o conhecimento aos interesses das empresas. Por outro lado, os cursos de pós-graduação (que dão conhecimentos fundamentais) são todos pagos.

Por sua vez, sob o conceito de “inclusão” e proposta central da atual Reforma da escola Secundária, se reforça o papel da contenção da escola, para reter o que a sociedade expulsa: os meninos vão à escola para comer e permanecer. De igual modo, a deserção e o abandono obedecem à pobreza, ao desemprego e à marginalidade, e não ao sistema educativo. Os docentes devem se ocupar de problemas sociais, em lugar de ensinar. Onde fica a qualidade da educação? A escola só educa para condições trabalhistas informais, para aceitar a exploração crescente.

Além do mais, cada vez mais docentes se vêm obrigados a aceitar relações trabalhistas precarizadas. Por outro lado, as escolas estão se desfazendo. Os estudantes e docentes têm que lutar para que se coloquem vidros, gás, reformem os banheiros, não há água, luz, os poços transbordam. O orçamento que se destina à educação (6% do PIB) é completamente insuficiente, comparativamente aos recursos que se utilizam para subsidiar grandes empresas ou pagar a dívida externa. Aqui também o Estado não respeita a educação.

Um só plano

No Chile já está quase tudo privatizado. Aqui privatizam mais lentamente, enquanto se criam as condições, através da deteriorização, para que a sociedade dispense a educação pública e opte pela privada. Estão nos levando para o mesmo cenário. Se continuam subsidiando a educação privada (tanto religiosa como a simplesmente comercial).

A escola pública se esvazia, a privada engorda suas matrículas. No final do túnel, nos espera a situação chilena..

Por uma educação ao serviço da classe trabalhadora e do povo

Nossa corrente internacional, organizada na LIT-CI, e sua seção na Argentina, combatem há décadas por uma educação que, em vez de sustentar os privilégios dos patrões e servir, centralmente, para “capacitar” trabalhadores para a exploração capitalista, produza uma formação integral ao serviço das necessidades da classe trabalhadora e do povo.

Refletindo esta luta, em seu programa (publicado em julho de 1985), o velho MAS fazia algumas definições que conservam a validade: “A educação é outro exemplo do desmoronamento da Argentina capitalista. Nosso país foi, nesta linha, um dos mais avançados, um exemplo (juntamente com Uruguai e Chile) na América Latina (…) Hoje sofremos um desastre em todos os níveis: primário, secundário e universitário, expresso, entre outras consequências, no crescente número de analfabetos funcionais.

Dizemos claramente que um povo na miséria, um país saqueado pela oligarquia e o imperialismo, não pode ter educação florescente. E com maior razão, ao crescimento da miséria popular e a ofensiva contra a escola e a universidade públicas, desencadeada pelos institutos privados dos “padres” e demais mercenários da educação.
 
Perante esta situação, o MAS denuncia como inúteis todas as medidas de curanderismo pedagógico...inventadas pelo Ministério de Educação. O MAS disse que só com as seguintes medidas de fundo se reverterá o processo de degradação da educação argentina.
 
Tal como recomenda a UNESCO se destinará 25 por cento do orçamento nacional à educação pública. Os fundos se obterão mediante o corte de todo o subsídio à Igreja e a qualquer tipo de escola privada, a aplicação de impostos extraordinários às grandes fortunas e a suspensão do pagamento da dívida externa.
 
Basta de escolas para ricos e escolas para pobres! Por uma só escola e uma só aprendizagem estatal, laica, gratuita e igual para todos, obrigatória a nível pré-escolar, primário e secundário. Que seja realmente gratuita mediante o fornecimento pelo Estado dos livros e uniformes e com restaurantes e bolsas para os alunos que necessitem. A escola oficial será a única habilitada a dar títulos e certificados de estudos. […]
 
Pela universidade estatal e gratuita com planos de estudo e de investigação ao serviço dos trabalhadores e do povo. Pelo ingresso irrestrito à universidade e um amplo plano de bolsas, restaurantes e residências estudantis. Pela autonomia universitária, acadêmica, econômica e de direção: o governo da universidade será formado por estudantes, professores, não - docentes, com maioria estudantil. […]
 
Pela nacionalização dos institutos de aprendizagem privada de qualquer nível – primários, secundários e universitários – com expropriação de seus edifícios, terrenos, material didático e todos seus bens para que sejam imediatamente transferidos para as escolas e universidades do Estado”.
 
Desde que se escreveu esse programa a política do imperialismo avançou a um plano ainda mais nefasto:que a educação deve ser centralmente um grande negócio. E que a educação e a investigação devem estar orientadas e subordinadas exclusivamente aos interesses das multinacionais. Por isso é necessário reafirmar o programa do velho MAS, enfatizando o chamado a defender o direito dos trabalhadores e do povo a uma educação ao serviço de suas necessidades e as do país.
 
Isto ocorre hoje na Argentina por reclamar a anulação das leis de Filmus – Kirchner: a LEN, a Lei de Financiamento Educativo, a Lei Nacional de Educação Técnica e a Lei Nacional de Educação Superior que vem de Ménem. Porque essas leis são as que expressam em nosso país a política de tornar a educação um negócio e a submeter aos interesses das multinacionais.

Em seu lugar, devemos nos centrar na luta por um sistema único, estatal, gratuito, laico e científico ao serviço dos trabalhadores e do povo.

Isto inclui enfrentar os avanços da descentralização educativa que o kirchnerismo aprofundou, com arenacionalização da educação, com o currículo único nacional e a validade nacional dos títulos. Devemos exigir o imediato aumento do orçamento da educação para encarar as obras necessárias que garantam escolas e universidades em condições, sem paredes e tetos que se desabem, com aquecimento e refrigeração adequados e todas as instalações em condições.

Juntamente a isto é necessário garantir instalações e docentes suficientes para assegurar aulas que não estejam superlotadas, e escolas que não funcionem como mero centro de contenção da miséria popular, mas com um número de alunos por docente e aula e em condições que permita ensinar e estudar adequadamente.

No plano trabalhista docente a luta deve se traduzir na conquista do salário único nacional e do convênio único, desterrando toda a forma de precariedade trabalhista. No âmbito universitário devemos nos opor à passagem de cada vez mais conteúdo educativo dos ciclos de pré-graduação (licenciatura e técnico) às de pós- graduação (doutorados e pós-doutorados), garantindo a gratuidade do ensino em todos os níveis (pré e pós-graduação). E exigir a nomeação com cargo pago de todos os assistentes e professores que são como temporários.

Tradução: Rui Magalhães

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Estudantes chilenos realizam nova marcha pela melhoria na educação


Por Jeane Freitas, jornalista
Publicado em Adital

Amanhã (22), a Confederação de Estudantes do Chile (Confech), apoiados por professores, trabalhadores, feministas da Rede Chilena contra a violência doméstica e sexual, entre outros, se prepara para a realização de mais uma Marcha Estudantil pela melhoria do sistema educativo e contra os custos da educação.
Os estudantes estão dispostos ao diálogo, no entanto, o governo tem se recusado a aceitar as condições - sintetizadas em quatro propostas - apresentadas semana passada pela representação estudantil.


Em carta ao Ministério da Educação (Mineduc), aConfederação de Estudantes do Chile (Confech) manifestou a exigência de garantias quanto os seguintes pontos: adiar o prazo limite para o encerramento do primeiro semestre; suspender os projetos de lei relativos à educação que estão no Congresso Nacional; transmitir as mesas de diálogo pela televisão; e que o Estado não conceda mais recursos às universidades que visam o lucro. Apenas as duas últimas propostas foram aceitas.

Para além de recusar metade das propostas, o ministro da educação, Felipe Bulnes, taxou os estudantes de intransigentes e afirmou que por esta postura está sendo difícil começar um diálogo e chegar a um acordo. Já os estudantes lamentaram o fato de "o governo ter se negado a entregar condições, na verdade mínimas, de sentido comum, porque eles estão dispostos ao diálogo”.

Diante da situação, Jaime Gajardo, diretor do Colégio de Professores, manifestou descontentamento com a resposta do governo e afirmou que os professores estarão junto aos estudantes nas paralisações de amanhã e do próximo dia 29.

Também a Confederação de Trabalhadores do Cobre (CTC) chamou os trabalhadores da Corporação Nacional do Cobre do Chile (Codelco) a se unirem em solidariedade ao movimento estudantil. Além de confirmar adesão à manifestação de amanhã, o presidente da CTC, Cristián Cuevas, pediu que o governo abandone a intransigência e enxergue que mudanças verdadeiras na educação não poderão acontecer dentro deste mesmo modelo.

Além de contar com o apoio de várias instituições em todo país, a marcha conta ainda com o apoio da Campanha Global pela Educação (CME), Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE) e do Fórum Nacional de Educação de Qualidade para Todos que estão lançando um movimento mundial de apoio aos estudantes chilenos via redes sociais.

As adesões à manifestação de apoio podem ser feitas por meio do envio de fotos através do link: http://www.flickr.com/photos/campaignforeducation e de uma mensagem ao presidente do Chile, Sebastián Piñera. Os apoios também podem ser feitos via Facebook ou Twitter (@redclade ou @globalcampaign). As instruções estão na página CME: http://www.campaignforeducation.org/chile (em Inglês) ou http://www.campaignforeducation.org/es/chile (em espanhol).

Há mais de quatro meses os estudantes chilenos estão em protestos pela melhoria do sistema educativo e suas principais exigências são: educação pública e de qualidade financiada pelo Estado, que deve destinar 10% do Produto Interno Bruto ao setor; a suspensão da tramitação de projetos de lei do Poder Executivo que dizem respeito aos créditos na educação superior; que o Estado não conceda mais recursos às universidades que visam o lucro, dentre outras.

Para saber mais sobre o assunto confira entrevista com Camila Vallejo, presidente da FECH:http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=59726.