Texto: Cidinha Santos
Fotos: Vinícius Maurício
Diversas gerações de pensadores da Cultura de Santos marcaram presença, na livraria Martins Fontes
Um bom livro, bons amigos, público interessado em cultura e literatura de qualidade são os ingredientes para o sucesso do lançamento do livro Zero Zero, que reúne o santista Flávio Viegas Amoreira e outros 20 autores da novíssima literatura brasileira, intelectuais, políticos e jornalistas envolvidos com a pauta cultural da Cidade e região. Além de Viegas, o escritor Tony Monti, que também tem textos publicados nessa edição, compareceu ao encontro.
Estiveram no lançamento, entre outros, o maestro Gilberto Mendes, Madô Martins, Maria Lúcia Prandi, Márcia Costa, Lúcia Teixeira Furlani, Alessandro Atanes, Célia Faustino, Márcio Barreto, Fátima Queiroz, Juracy Silveira, Gustavo Klein, Marcelo Rayel, Eduardo Paulino, Antonio Eduardo e Raul Christiano e dezenas de nomes.
O evento aconteceu na Livraria Martins Fontes no Gonzaga, na tarde de sábado (6). Segundo Amoreira, a publicação Geração Zero Zero: fricções em rede pretende provocar reflexão sobre a guetificação da sociedade, o consumismo exacerbado, a coisificação humana e a descartabilidade do ser humano. – “Esse é o papel da novíssima geração de escritores”.
Crítico das universidades e academia da região, Amoreira cita como exemplo o trabalho realizado por Nelson Oliveira, que organizou o livro Após rastrear 1500 trabalhos convergentes na novíssima literatura, selecionou 150 e, por fim, chegou aos 21 autores que participam da edição. “As instituições não cumprem o papel que lhes cabem. Podiam rastrear a literatura produzida nos últimos anos e incluir no acervo. Cada escritor recebe uma média de dois livros por mês e esse material está espalhado”.
O escritor aponta ainda algumas questões que precisam ser respondidas. Sobre a Lei Rouanet, de incentivo à Cultura, reconhece que provocou discussões importantes. Para ele, falta maior capilaridade para inserção nas redes culturais. “O que surgiu de fantástico, na gestão dos ex-ministros da Cultura, Gilberto Gil e Juca Ferreira e, que continua na atual gestão da ministra Ana de Hollanda, são os Pontos de Cultura. Mas ainda é preciso inserir o patinho feio das artes como é tratada a Literatura”, conclui o escritor.
Dentre as críticas do autor, a falta de uma legislação sobre acervos públicos e de Políticas Públicas para Literatura com a criação de oficinas literárias permanentes. Uma das sugestões é a criação de bibliotecas em cada Ponto de Cultura existente.
O escritor considera que a Estação da Cidadania de Santos é um dos oásis existentes na cidade de Santos. A entidade, que abriga o Fórum da Cidadania, desde 2006, se tornou Ponto de Cultura e promove debates e apresentações sobre comunicação, cultura e cidadania, dança contemporânea, oficinas de literatura, fotografia, vídeo, teatro e dramaturgia, dentre outros.
Geração Zero Zero - O nome da publicação Geração Zero Zero se refere ao ano 2000. Critica a geração yuppie que elegeu Bush e Collor, nos anos 80 e 90. Essa foi a época em que imperava o neoliberalismo galopante e a juventude não engajada.
Para Amoreira, a juventude viveu uma retomada de consciência, nos últimos dois anos. Percebeu que o capitalismo não é sustentável, ter uma vida fashion não leva a nada. Ele considera que a internet contribuiu para essa mudança. As redes sociais agregaram ilhas de pensamento que estavam dispersas. Cita como exemplo as manifestações ocorridas na Grécia - houve a insurgência dos jovens a partir do Facebook.
Segundo o escritor, os blogs representam o boom da nova literatura. Com eles houve a retomada da palavra escrita. “Com a crise crônica do capitalismo e a não sustentabilidade dos meios de produção as novas gerações vêm retomando a ação de forma holística”, comemorou o autor.
| Tony Monti, autor de dois textos publicados |

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